O ano de 2019 foi proclamado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o Ano Internacional das Línguas Indígenas. O objetivo é conscientizar a população da necessidade de preservar e promover as línguas indígenas no mundo.

A necessidade dessa conscientização foi percebida a partir de um dado apresentado ao Fórum Permanente das Nações Unidas sobre as Questões Indígenas (UNPFII) de 2016, que indicou que cerca de 40% das 6.700 línguas faladas no mundo corriam o risco de desaparecer, sobretudo as línguas indígenas, e, com elas, as culturas e os sistemas de conhecimento aos quais elas pertencem.

Atualmente, no Brasil, segundo informações do Povos Indígenas no Brasil, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas. Isso significa em torno de 85% de línguas a menos do que teriam existido quando os europeus chegaram ao Brasil há mais de 500 anos. Junto com essas línguas, desapareceram também as configurações culturais e a sabedoria desses povos. Para ter uma ideia em números, cerca de 110 línguas indígenas são faladas por menos de 400 pessoas; a língua dos Akuntsu é falada apenas pelas cinco pessoas que formam esse grupo indígena; os Guató têm cerca de 370 pessoas, mas apenas cinco são falantes da língua; o casal Känä́tsɨ e Híwa, residentes na fronteira do Brasil com a Bolívia, são os dois últimos falantes da língua Warázu, do povo indígena Warazúkwe.

É importante ter em mente que as línguas indígenas estão em constante transformação, influenciadas pela troca cultural que existe entre os povos. Há muitos povos indígenas que falam e entendem mais de uma língua, e até dentro de uma mesma aldeia falam-se várias línguas. Em alguns povos, os homens costumam falar de três a cinco línguas. Em outros, o homem deve falar a mesma língua que seu pai, porém, deve casar-se com uma mulher que fale uma língua diferente.

Para os linguistas, tem sido um grande desafio conhecer todo esse repertório linguístico e mantê-lo vivo, sobretudo nos projetos de educação escolar indígena. A língua é de suma importância na vida das pessoas, não só como forma de comunicação e integração social, mas como marca da identidade, da história cultural, das tradições e da memória de cada pessoa.

Neste Ano Internacional das Línguas Indígenas, aproveite para ler com seus filhos algumas das publicações de Paulinas que abordam a cultura, as línguas, os valores e as tradições dos povos indígenas. Ensine a eles a beleza da diversidade dos povos e a necessidade de sua preservação.