Quando uma floresta queima, não são apenas árvores em chamas, mas todo um ecossistema. Hoje, quando vemos que os incêndios florestais ameaçam biomas inteiros, como Amazônia, Cerrado e Pantanal, temos a certeza da importância e da urgência da obra do artista plástico e ativista ambiental Frans Krajcberg.

Para entendermos a empatia do artista polonês radicado no Brasil com todo ser vivo, temos que conhecer sua história. Nascido em 1921 na Polônia, viu seus pais e irmãos serem enterrado vivos pelos nazistas durante a guerra. Crescido, conseguiu estudar Artes Plásticas na Alemanha, onde conquistou a simpatia de Marc Chagall, que pagou sua passagem para o Brasil.

Aqui, na década de 1950, passou a viver em uma caverna, mesmo mantendo-se integrado à efervescência cultural da época. Na década de 1970, ganhou projeção internacional com suas esculturas feitas com madeira calcinada, que ele recolhia após incêndios florestais.

Frans Krajcberg é considerado um artista que protesta por meio de suas obras, que falam de guerra, de devastação e do descaso do homem com a vida e o meio ambiente. Depois de sua morte, em 2015, o cineasta Walter Salles disse que “Frans Krajcberg é um daqueles raros artistas cuja obra é uma extensão da própria vida e vice-versa”.

“Frans Krajcberg – A obra que não queremos ver” é um manual para artistas contemporâneos

A arte é feita de inspirações, de aceitação e, por que não, da rejeição de tudo o que foi feito anteriormente. A obra de Frans Krajcberg está explicada de forma sutil no livro “Frans Krajcberg – A obra que não queremos ver”, de Renata Sant´Anna e Valquíria Prates. O livro mostra, com imagens e texto, a arte-protesto de Frans Krajcberg, que parte da destruição, usando árvores queimadas em incêndios florestais.

O mais interessante é que, depois de lido o livro, partimos para o caderno-ateliê, para colocarmos em prática o que a obra despertou em nós. Infelizmente, a obra de Frans é atual... gritantemente atual.