A cada ano, no mês de abril, têm aumentado as reflexões em torno do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o destaque dado à cor azul, que representa a iniciativa de conscientização sobre o tema. O TEA é um transtorno neurobiológico no qual áreas cerebrais não funcionam conforme esperado para cada região do chamado “cérebro social”.

O autismo não é um diagnóstico da atualidade. O adjetivo “autista” foi introduzido na Psiquiatria no ano de 1906, quando Plouller identificou em seus estudos comportamentos de isolamento social e dificuldades na capacidade de expressão verbal e não verbal. De lá para cá, esta realidade esteve cada vez mais presente nos estudos, adquirindo com o tempo uma definição diagnóstica.

Em 2007, o dia 2 de abril foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Esse foi um importante marco para provocar o interesse da sociedade pela temática, favorecendo um maior diálogo entre as famílias, profissionais de diversas áreas e os indivíduos com autismo. Outro marco foi a instituição da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, também conhecida como Lei Berenice Piana, sancionada no Brasil em 2012. A Lei n. 12.764/2012 passou a considerar oficialmente a pessoa com autismo como pessoa com deficiência.

É importante que a temática esteja constantemente em pauta. A dificuldade em lidar com ela tem excluído socialmente muitas pessoas com TEA, e essa realidade é muito presente até mesmo nas famílias com dificuldades em aceitar e lidar com pessoas diagnosticadas com o transtorno. A notícia do diagnóstico faz com que muitos familiares vivenciem tensão, ansiedade e desesperança, uma vez que a insegurança e o estigma social ainda são muito fortes.

Segundo o terapeuta ocupacional Wilson Candido Braga, autor do livro “Autismo: azul e de todas as cores”, a carência de orientação a essas famílias ainda é constante, deixando-as por vezes desnorteadas e sem perspectivas, pois quase sempre esse diagnóstico é visto como algo gerador de incapacidades e impossibilidades, esquecendo-se de que esse sujeito não é só autista, mas também tem outros adjetivos, positivos e negativos, como qualquer outro ser humano. Para o terapeuta, a assistência aos indivíduos e suas famílias faz uma grande diferença, pois dessa forma estamos minimizando o preconceito e gerando possibilidades para que a inclusão de fato aconteça, assegurando o direito de acesso e a garantia de permanência nos mais diversos espaços socioeducacionais com qualidade.

A Paulinas Editora, por meio de suas publicações, tem incentivado a reflexão sobre o tema e esclarecido pais e profissionais da Saúde e da Educação acerca do TEA.