Entusiasmo idealístico, estagnação, frustração, esgotamento e apatia. Segundo o padre e psicólogo Luciano Sandrin (autor do livro “Burnout – Como evitar a síndrome de esgotamento no trabalho e nas relações assistenciais”, da Paulinas Editora) essa é a sequência que leva à síndrome de burnout (esgotamento, em inglês), doença que acomete cada vez mais pessoas no ambiente de trabalho.

A doença foi retratada a partir de estudos que vêm sendo realizados há décadas em vários países, com análises comportamentais baseadas em atitudes extremas tomadas por pessoas em seus ambientes de trabalho, que vão desde a violência física até tentativas de suicídio.

Outra característica da síndrome de burnout é a apatia, que nos leva a não nos importarmos com o outro. É preciso prestar atenção para que seja possível desenvolver um comportamento pró-social, que resulte em mais cordialidade, autoestima, autoeficácia social (sentir-se capaz de ajudar), controle interno, empatia, juízo moral, capacidade de assumir responsabilidades e habilidades instrumentais (relacionais, interpessoais e sociais).

O estresse contínuo, que leva à síndrome de burnout, se dá por excesso de trabalho, no ambiente corporativo ou em casa, sendo agravado por problemas de relacionamento com colegas de trabalho, chefes e até com familiares (ciúme, falta de dinheiro etc.). Todos os fatores, encadeados, resultam em um impacto emocional que precisa ser tratado.

Outro fator que pode levar ao burnout é a sensação de onipotência, ou seja, o sentimento de que podemos fazer tudo e estar em todos os lugares ao mesmo tempo. “Para sentir-se realizado no trabalho, é preciso rever e reelaborar a própria imagem, os ideais e a noção daquilo que quer dizer ‘ajudar’ e o que significa ‘cuidar’, adaptando-a aos vários ambientes de trabalho”, diz Luciano Sandrin.